A Electronic Arts atravessa um dos momentos mais delicados de sua história. A gigante dos games, agora controlada majoritariamente pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, acumulou uma dívida bilionária após a conclusão da compra de US$ 55 bilhões. A operação, considerada a maior aquisição alavancada da história do setor, deixou a empresa com US$ 18 bilhões em passivos e uma conta de juros anual de US$ 1,8 bilhão [citation:1][citation:3][citation:5].

O quadro financeiro apertado levou a EA a comunicar aos investidores sua intenção de reduzir custos operacionais em US$ 700 milhões por ano. Desse montante, US$ 170 milhões virão de eficiências organizacionais, uma expressão que, segundo o jornalista Jason Schreier da Bloomberg, significa na prática demissões em massa. O EBITDA anual da empresa, de cerca de US$ 1,5 bilhão, mal cobre os juros da dívida, o que pressiona a gestão a buscar cortes profundos [citation:2][citation:3][citation:5].

A situação gerou apreensão entre os funcionários e na comunidade de jogadores. Analistas apontam que estúdios focados em jogos single-player, como BioWare e Motive, podem estar na linha de frente dos cortes, já que a nova estrutura de propriedade tende a priorizar franquias mais lucrativas e com apelo de serviço contínuo, como os jogos esportivos e Battlefield [citation:1][citation:3].

O cenário se torna ainda mais controverso à luz da remuneração dos executivos. Em julho, a EA revelou que seu CEO, Andrew Wilson, recebeu US$ 38,6 milhões em remuneração total no ano fiscal de 2026, um aumento de US$ 8,1 milhões em relação ao ano anterior. O pagamento ocorreu poucos meses após a empresa demitir equipes dos estúdios responsáveis por Battlefield 6, um jogo que vendeu 7 milhões de cópias em seus primeiros três dias [citation:4][citation:9][citation:14].

A discrepância entre os cortes de pessoal e a valorização da alta cúpula escancara a dura realidade que se desenha para a EA sob seu novo comando. Com a necessidade de pagar uma dívida bilionária, a empresa deve acelerar a reestruturação, o que pode significar o fechamento de estúdios, o cancelamento de projetos e um foco ainda maior em franquias de retorno financeiro garantido, deixando no ar o futuro de títulos e equipes que não se encaixam nesse perfil [citation:1][citation:3][citation:5].

FONTES:
Matéria da Kotaku sobre os cortes:
https://kotaku.com/bloodbath-ahead-for-ea-as-it-looks-to-cut-700-million-in-annual-costs-under-saudi-arabia-2000721875

Matéria da Wccftech sobre a dívida:
https://wccftech.com/ea-55-billion-buyout-18-billion-debt-layoffs/

Matéria da News18 sobre a remuneração do CEO:
https://www.news18.com/amp/tech/electronic-arts-ceo-gets-38-6-million-appraisal-after-firing-team-that-created-best-selling-battlefield-6-game-10241937.html

Postagem de Jason Schreier no Bluesky:
https://bsky.app/profile/jasonschreier.bsky.social/post/3mscbqr7m3c2p